Quando éramos crianças quantas vezes brincamos de plantar bananeira...! Eu adorava subir numa poltrona botar a cabeça no assento e levantar as duas pernas e apoiá-las no encosto e, assim permanecia vários minutos olhando e observando a todos e a tudo de cabeça para baixo, esquecia da vida... Até enrubescer o meu rosto, e aí a minha mãe assustada danava comigo: - Menino para com isso faz mal ficar de ponta cabeça, o sangue vai pro cérebro... Mas eu sempre teimava e voltava a fazer a mesma peraltice, às vezes apoiava-me nas paredes ou então em alguma árvore, era muito gostoso...! Não me recordo quando parei de plantar bananeira, e não sei porquê, mas parei de brincar desta maneira, talvez porquê tenha me transformado num adulto.
Hoje me pergunto, e pergunto a todos aqueles que também plantaram bananeira na infância, qual era o nosso objetivo? Penso que, talvez quiséssemos enxergar as coisas de forma diferente dos adultos, os controladores da situação. Pois eles tinham uma visão divergente da nossa e, pior do que isto, quando descordávamos em alguma questão sempre prevalecia a maneira deles enxergarem o mundo, independentemente de estarem certos ou errados, se é que existia esta definição.
Estas lembranças, da minha infância, emergiram na minha mente no instante em que vi uma fotografia de casas de uma favela, até aí tudo normal, para um país latino americano, porém a foto estava de cabeça para baixo, e o mais incrível é que eu não consegui perceber este detalhe fundamental! Cheguei na triste conclusão de que realmente parei de plantar bananeira e transformei-me num adulto que tem a ilusão de controlar a situação. A partir de então, comecei a “plantar bananeira” e analisar os acontecimentos e as notícias que nos bombardeiam em todo momento, com uma ótica invertida em relação ao atual 'status quo', o diagnóstico foi alarmante, todos foram transformados naqueles adultos da minha infância, e iludem-se com o poder e o controle da situação caótica instalada.
"Se o homem persistisse em sua loucura, tornar-se-ia sábio." William Blake (1757 – 1827) romancista inglês."
O bobo, ou melhor dizendo, o louco era conservado nas cortes de antanho. Na Grécia, acreditava-se que o fato de ter um bobo (louco) em casa afastava o mau olhado. Os Reis o utilizavam como espião, personagem privilegiado, o louco podia misturar-se facilmente a qualquer grupo que estivesse mexericando ou avaliando a situação política. O louco era bem recebido em toda parte. No âmago do Homo sapiens sapiens lateja a loucura sapiente, mas é no Líder Visionário que ela desperta e explode como uma bola de fogo, uma energia universal irradiante, uma energia excitável, entusiástica e que, através da sua luz, dá colorido ao mundo dos homens. O núcleo dinâmico de sua energia psíquica é auto-motivada, motivadora e inspiradora. É um verdadeiro canal de vida. Através do seu poder, extra-sensorial, o Líder Visionário liga dois mundos - o mundo contemporâneo e temporal do cotidiano, onde quase todos nós vivemos a maior parte do tempo, e o mundo não-verbal e atemporal da imaginação, que visitamos de quando em quando. O Visionário move-se livremente entre esses mundos, e sem dúvida, lá se funde com a essência central da psique, o Homem Cósmico.
Com seu espírito imaginativo, criativo e irradiante os líderes visionários trouxeram ao lume o gênio humano entre os homens, notavelmente na linha do tempo delimitada entre os sécs. XV e XVI, este período foi denominado pelos historiadores como o Renascimento. Para citar, apenas, alguns destes gênios, renascentistas, menciono Leonardo da Vinci (1452-1519) pintor, escultor, cientista, engenheiro, físico, escritor, etc; Michelângelo Buonarroti (1475-1564) destacou-se em arquitetura, pintura e escultura; Giordano Bruno (1548 - 1600), Filósofo, astrônomo e matemático, importante pelas suas teorias sobre o universo infinito e a multiplicidade dos sistemas siderais, no que rejeitou a teoria geocêntrica tradicional e ultrapassou a teoria heliocêntrica. Entretanto, objetivando transparentar o Líder Visionário, quero destacar o francês, Michel de Notredame (1503 - 1566), mais conhecido por Nostradamus, seu nome alatinado. Formado em medicina, alcançou a fama e recebeu honrarias por debelar em duas ocasiões a epidemia da "peste negra". Porém, o que notabilzou e imortalizou este famoso médico foi o seu controvertido dom da predição, através do qual legou "As Centúrias" (são 12, escritas em quadras, com versos de 10 e de 12 sílabas); "Presságios" (141 quadras); Predições (58 sextilhas). Polemizado pelo caráter de suas predições, algumas são claríssimas, mas outras são enigmáticas e tão difíceis, que, só quando se realizam o que elas dizem, é que se vê bem o sentido que encerram. A Nostradamus foi creditado entre outras coisas, a predição do reinado de Napoleão, a bomba atômica, o pouso do homem na lua e o assassinato de John F. Kennedy. Em episódios pivôs da história contemporânea, a subida ao poder de Adolf Hitler, e recentemente, a destruição das torres gêmeas do Centro de Comércio Mundiais - WTC. Também predisse a própria morte nos "Presságios", o que realmente sucedeu.
"Fausto, inquieto, na poltrona, junto à mesa de trabalho, lamenta o seu destino; diz que estudou várias ciências, que não tem dinheiro, nem glória nem poder; por isso entregou-se à "magia", para ver se pode, enfim, positivar qual seja a essência do Universo". Depois, diz a si mesmo, observando o lema de Nostradamus "A Deo, a natura", isto é, que a inspiração de Deus e a influência dos signos do zodíaco, que Deus e a natureza são os grandes mestres do homem... Do "Fausto" (1ª parte; 1º ato) do genial Johann Wolfgang von Goethe (1749 - 1832).
Acredito firmemente que, ainda nesta primeira década do século XXI, será edificada a teoria das leis que governam as competências essencialmente humanas, com especial atenção à percepção extra-sensorial, aquelas pertencentes ao chamado 6º sentido, tão comum aos poetas (vidente), aos que se dedicam às belas-artes, e a todos os indivíduos engenhosos, que revelam o gênio artístico, talentoso, astucioso e artesão. A partir de então, a Liderança Humana Visionária pululara em nosso planeta, e nós - Líderes Visionários - desvendaremos os próprios segredos através dos sonhos e da imaginação.
Chocado! Acho que esta é a palavra mais adequada para explicar a minha reação, súbita, ao flagrar um passarinho – “A vossa majestade o sabiá” – não sou um taxonomista, mas com muita segurança de acerto posso classificá-lo como sendo uma vítima contaminada pela urbanização desgovernada das cidades brasileiras e, até do mundo. Cheguei a esta triste conclusão motivado pela atitude inatural e esquisita adotada pela ave, praticando um filicídio, empurrava o ovo pra fora do seu ninho, até que o mesmo caísse e se espatifasse no chão, bem na minha frente, esparramando as partes embrionárias do seu filhote para todos os lados, o bico, as asinhas, as patinhas e outras inidentificáveis. Após alguns segundos de observação inquiridora, continuei a minha caminhada matinal, a partir de então com a mente atormentada por aquela cena, estimulando a reflexão no restante do meu percurso.
Ao chegar em casa comecei a prosear comigo mesmo e a rascunhar – os conteúdos genitivos e emergidos da minha reflexão – originando o texto que compartilho agora com o leitor do blog.
Talvez a cena que testemunhei, seja testemunhada por milhares de pessoas ao redor do mundo, e com protagonistas de maior interesse para a biodiversidade e a biociência, porém não são estes atores que quero destacar, apesar de serem cruciais para a nossa existência e das gerações futuras. O meu objetivo é levá-lo comigo numa viagem perscrutando os atores, protagonistas e coadjuvantes, da divina comédia disputando vorazmente um lugar ao sol para transmitir e perpetuar os próprios genes.
A cena começa, na aurora da hominalidade, numa disputa insana com o próprio meio ambiente, eliminando seus habitantes mais inadaptáveis (nós mesmos). O senso de limite de território, aos poucos, é desprezado e os conquistadores expandem até onde a “fraqueza” dos “conquistados” cedem, e os mais adaptáveis dominam e se multiplicam aos bilhões, estes dominadores são os raptores da progressão da sociabilização. Com os pés na era pós-modernidade, classificados como Homo sapiens sapiens, os sapientes, os atores do atual cenário globalizado e, ao mesmo tempo fragmentado em governanças e desgovernanças, G7, emergentes e de terceiro mundo. Superado o belo e a estética, persegue-se a sustentabilidade responsável e a educação ética é realidade. Numa incursão ao futuro, alcançamos a era humana, na qual encontramos o Homo sapiens sapiens sapiente, perseguindo de forma sistêmica e holística a auto-humanização.
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